Nesta quarta-feira, Israel marcou três anos dos ataques que mataram 1.221 pessoas e levaram outras 251 como reféns em um único dia. A data chegou com um peso diferente dos dois aniversários anteriores: faltam menos de três semanas para as eleições legislativas de 27 de outubro, e o resultado ainda é genuinamente incerto. O parlamento israelense tem 120 cadeiras e exige 61 para formar governo. A pesquisa mais recente, do jornal Maariv, mostra o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu com 51 assentos e a oposição liderada pelo ex-general Gadi Eisenkot com 53, sem que nenhum dos dois chegue à maioria.
A diferença tende a passar pelos partidos árabes, o que torna qualquer aliança politicamente delicada para os dois lados. O peso do 7 de outubro sobre o voto é concreto: segundo pesquisa do Instituto de Democracia de Israel feita no início de setembro, 62% dos eleitores consideram o tema central na hora de decidir o voto. Ao mesmo tempo, 61% dos israelenses acham que Netanyahu nem deveria concorrer, e só 36% o consideram adequado para o cargo.
É reflexo direto das falhas de inteligência que antecederam o ataque e da recusa do governo em aceitar uma comissão estatal de inquérito. O argumento que mantém a coalizão governante competitiva não é a defesa do passado, mas a narrativa do futuro: a interlocução com Washington e os resultados militares contra o Irã são apresentados como trunfos que a oposição ainda não demonstrou conseguir replicar. Ainda assim, a narrativa de segurança que sustentou décadas de hegemonia política agora convive com a imagem do dia em que a segurança falhou de forma catastrófica.
Para o Brasil, o conflito no Oriente Médio não é só notícia distante. O barril de petróleo tipo Brent segue acima de US$ 100, pressionado pela instabilidade regional, o que favorece a balança comercial brasileira, já que o petróleo bruto é hoje o principal produto de exportação do país. Mais dólares entrando ajudam a segurar o câmbio, hoje perto de R$ 5,00. O problema é o outro lado da equação: diesel importado mais caro pressiona a inflação, que o mercado já projeta em 5,01% para 2026, acima do teto da meta.
Com a dívida bruta em 82,86% do PIB em agosto e a Selic em 13,75% ao ano, qualquer pressão adicional sobre os preços reduz o espaço para cortes de juros mais rápidos, e os juros nominais pagos pelo setor público já somaram R$ 1,18 trilhão nos 12 meses até agosto. O que acontece em Tel Aviv não fica em Tel Aviv.