O voo da companhia aérea de Dubai que seguia para Tel Aviv ontem pela manhã, com 174 passageiros, terminou em Tabuk, na Arábia Saudita. Segundo autoridades israelenses, o copiloto, de nacionalidade omanense, esfaqueou o comandante perto de Israel. O avião perdeu mais de 4 mil metros de altitude em menos de dois minutos, até que passageiros dominaram o agressor e dois pilotos da companhia que viajavam de folga pousaram a aeronave.
O governo israelense tratou o caso como tentativa de atentado, embora a companhia diga que o motivo segue sob investigação. O calendário explica a pressa: as eleições para o parlamento estão marcadas para 27 de outubro, as primeiras desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. A pesquisa mais recente da emissora pública israelense, de 28 de setembro, mostra governo e oposição empatados em 52 cadeiras cada, num parlamento de 120 em que são precisas 61 para governar.
As 12 restantes ficam com partidos árabes, que a oposição ainda reluta em aceitar como parceiros. Sem essa ponte, a urna pode produzir paralisia em vez de alternância. A segurança sempre foi o principal ativo de quem governa Israel, e desde 2023 virou passivo. O episódio do voo reacende o tema, mas o eleitor já atravessou três anos de guerra, e ainda não se sabe se o cansaço pesa mais que o medo. Para o Brasil, o fio que liga essa história à economia é o petróleo.
O barril de referência internacional está perto de US$ 100, quase 50% acima de um ano atrás, em boa parte pelas tensões no Oriente Médio. No passado, um choque assim derrubava o real, porque crise lá fora fazia o dinheiro fugir dos emergentes. Hoje a conta é outra: o petróleo bruto foi o principal produto da exportação brasileira em 2025, com US$ 44,6 bilhões, e barril mais caro traz mais dólar para o país. Isso ajuda a explicar por que a moeda americana fechou setembro em R$ 5,17, praticamente estável.
O outro lado está na inflação. O Brasil ainda importa parte do diesel que consome, e combustível mais caro chega ao frete e à comida. Em setembro, o Banco Central cortou os juros para 13,75% ao ano, mas elevou de 5,1% para 5,2% sua projeção de inflação para 2026, citando os conflitos no Oriente Médio. A mesma tensão que segura o câmbio tende a manter os juros altos por mais tempo, e é por esse caminho que uma eleição distante chega ao bolso brasileiro.