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Marcel Lima

A Eleição que Será Decidida em Dezoito Cidades

28/08/2026 · 4 min de leitura
Escrito por Marcel Lima
Sócio e Assessor de investimentos da VALOR | XP. Atua com planejamento financeiro aliando a técnica aos objetivos individuais.
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Artigo em áudio · 4 min

A eleição presidencial de outubro tem uma peculiaridade que raramente aparece no centro do debate público: ela não será decidida nos estados onde cada lado já tem domínio consolidado, mas num grupo muito específico de municípios que oscilam de eleição em eleição. São as chamadas cidades pêndulo, e entender o que acontece ali importa mais do que qualquer pesquisa de intenção de voto feita em âmbito nacional. Um grupo de 145 municípios paulistas que alternou votos entre candidatos de esquerda e de direita nas últimas seis disputas presidenciais de segundo turno concentra quase 14 milhões de eleitores, o equivalente a 41% do eleitorado estadual, segundo levantamento de um instituto nacional de pesquisa sobre representação e legitimidade democrática, ligado à Universidade Federal do Paraná.

O número impressiona, mas a parte mais reveladora está dentro desse grupo: o peso eleitoral dessas cidades está fortemente concentrado na região metropolitana de São Paulo, onde somente 18 delas reúnem 12,85 milhões de eleitores, ou cerca de 92% de todo o eleitorado das cidades pêndulo paulistas. Há uma lógica pendular direta nisso. Em 2022, esses municípios metropolitanos migraram para o campo da esquerda e foram decisivos para o resultado final.

Como a oscilação é justamente a característica estrutural desses lugares, nada garante que o movimento se repita agora, nem que se inverta. Fato é que nenhum dos dois lados pode dar esse eleitorado como garantido. O país tem 158,7 milhões de eleitores aptos a votar em outubro, e São Paulo é o colégio eleitoral que mais pesa: 34,1 milhões de eleitores, 21,48% do total nacional. As cidades pêndulo paulistas sozinhas respondem por cerca de 8,8% do eleitorado do país, e as 18 da região metropolitana, por 8,1%.

Numa disputa que se projeta acirrada e decidida na margem, ganhar ou perder fôlego nessa faixa pode definir o placar nacional. O eleitor típico dessas cidades não tem fidelidade ideológica rígida. Tende a responder mais a questões do cotidiano, como custo de vida, segurança e transporte, do que a posicionamentos de campo. É um perfil que qualquer estratégia de campanha precisa tratar de forma distinta, com agendas calibradas para problemas urbanos concretos, não para reforçar a base já convicta.

É nesse cenário que a tramitação da proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala seis por um ganha peso eleitoral além do trabalhista. O relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça do Senado apresentou ontem voto favorável à aprovação do texto, rejeitando as 12 emendas apresentadas por senadores e mantendo o mesmo texto aprovado pela Câmara no fim de maio. A comissão deve votar o parecer na próxima quarta-feira.

Se aprovada ali, a proposta ainda precisa ser confirmada no plenário, onde são necessários três quintos dos senadores, 49 votos, em dois turnos. O presidente do Senado foi cauteloso e não prometeu votação em plenário, embora na Câmara a proposta tenha sido aprovada por amplas margens: 472 a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo.

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