A retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã voltou a colocar o Estreito de Ormuz no centro das atenções globais. Pelo terceiro dia consecutivo, forças americanas realizaram ataques contra alvos iranianos, enquanto Teerã respondeu com mísseis balísticos contra uma base na Jordânia. O número de embarcações cruzando o estreito caiu de 49 para 25 em apenas um dia, sinalizando o nervosismo dos operadores marítimos diante da instabilidade na região.
Analistas de relações internacionais apontam que o conflito atual funciona mais como um teste de limites do que como prelúdio de uma guerra total. O ponto mais sensível do cessar-fogo de 60 dias negociado entre as partes é justamente o controle do Estreito de Ormuz. O texto do acordo, criticado por sua imprecisão, atribui ao Irã papel central na administração da via marítima, o que gerou interpretações distintas entre as partes e alimenta a escalada atual.
Enquanto isso, o Irã aproveitou a pausa no conflito para acelerar exportações de petróleo, embarcando cerca de 10 milhões de barris em uma única noite. O petróleo representa metade da receita iraniana e é considerado essencial para a recuperação do país. No Brasil, os efeitos da crise se misturam com decisões de política econômica doméstica. O governo prorrogou por mais 60 dias o imposto de 12% sobre a exportação de petróleo bruto, medida que o setor privado critica por gerar imprevisibilidade em contratos de longa duração.
Especialistas questionam a coerência da iniciativa num momento em que o barril já recuou cerca de 35% em relação ao pico registrado em março. Além disso, subsídios sobre combustíveis permanecem parcialmente vigentes, embora o Ministério da Fazenda sinalize disposição para retirá-los gradualmente. A decisão sobre a gasolina foi adiada em meio à nova rodada de tensões no Oriente Médio, mas a expectativa é que o tema volte à pauta na próxima semana.
No campo político, a pré-campanha presidencial brasileira segue caminhos distintos para os dois principais candidatos. Um deles atravessa um período de agenda positiva e construção de alianças regionais, enquanto o adversário enfrenta ruídos internos, disputas entre alas com visões estratégicas opostas e dificuldades na formação de palanques estaduais. O tempo, segundo analistas, segue como variável decisiva nessa equação.