O Brasil caminha para uma eleição presidencial carregando um fardo pesado e pouco discutido com a seriedade que merece. Segundo levantamento da consultoria Arco Advice, o país ocupa hoje uma posição de risco alto, com nota 57 numa escala de 0 a 100, e o que é mais preocupante, com viés de alta. O componente mais grave desse índice não é a economia nem a geopolítica. É o ambiente político institucional, que atingiu 68 pontos e segue em trajetória ascendente.
O quadro institucional brasileiro é marcado por uma guerra de poderes que não dá sinais de arrefecimento. O Executivo, o Legislativo e o Judiciário disputam espaço, influência e sobrevivência de forma que compromete qualquer perspectiva de agenda estruturante para o país. Reformas fundamentais, como a modernização da legislação de concessões e parcerias público-privadas, a regulação de minerais críticos e a atualização do marco legal para inteligência artificial e data centers, ficam à margem de um debate político cada vez mais dominado pelo populismo e pela troca de acusações.
O Congresso aprova medidas de apelo eleitoral enquanto o governo responde na mesma moeda, e ninguém discute o futuro do Brasil com profundidade. A questão fiscal, embora pontue abaixo no índice de risco, é uma bomba de efeito retardado. O Tesouro Nacional já emitiu alertas, o juro futuro pressiona os investimentos e o custo de capital inviabiliza projetos em setores que precisariam de retorno acima de 15% ao ano apenas para superar a taxa básica.
A inflação está relativamente controlada, o que adia a percepção popular do problema, mas não o elimina. Enquanto isso, empresas migram para o Paraguai, contribuintes transferem residência fiscal para o exterior e o Brasil permanece um destino de risco para quem busca segurança jurídica e previsibilidade regulatória.